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Liliane Melo

Liliane Melo é formada em Jornalismo pela PUC-PR e especialista em Jornalismo & Mídia pela Uniron-RO. Já trabalhou como repórter no Diário da Amazônia e Folha de Rondônia. Ministra cursos na área jornalística e é funcionária pública de carreira. Mãe de Matheus, 7 anos, diagnosticado como autista. Desde 2013 participa de workshops para se aprofundar em relação ao tema Autismo e realiza diversas pesquisas sobre o assunto.

As dificuldades para entender alguém com autismo! Por Liliane Melo

10/07/2017 - [19:58] - Opinião


A maioria das pessoas tem muita dificuldade em entender uma pessoa com autismo. Ainda mais, quando essa pessoa não tem o grau severo! Além disso, como já deixei claro em artigos anteriores, uma pessoa típica não difere em nada esteticamente, de alguém com autismo. Então, como entender?

Classificadas de diversas maneiras, pessoas com autismo passam por mal-educadas, antissociais, arrogantes, egoístas, frias, calculistas e por aí afora, já que elas têm dificuldade em se colocar no lugar de outra pessoa em relação ao que o (a) outro (a) sente, pensa ou imagina.

Essa relação comportamental, a pessoa típica tira de letra. Mas para quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não é bem assim. Uma pessoa dita “normal” sabe o que a sociedade espera do seu comportamento em, imagina o que o outro indivíduo está pensando em certas situações, dentre outras coisas.

A Teoria da Mente (TOM)é a habilidade de fazer suposições precisas sobre o que os outros pensam ou sentem que nos ajuda a prever o que farão. Trata-se de uma aptidão importante para o convívio social, que é adquirida por volta dos quatro anos em um desenvolvimento típico, o que crianças com autismo desenvolvem posteriormente.

Podemos perceber a dificuldade de TOM em crianças autistas em tarefas corriqueiras, como:

-Apontar coisas para outros.

-Estabelecer contato visual.

-Seguir os olhos de outro indivíduo quando esse está falando sobre aquilo que estão olhando.

-Usar gestos para comunicar-se.

-Entender as emoções no rosto alheio.

-Usar variação normal de expressões emocionais no próprio rosto.

-Mostrar interesse em outras crianças.

-Saber como envolver-se com outras crianças.

-Manter-se calma quando se sente frustrada.

-Entender que alguém pode ajudá-la.

-Entender como os outros se sentem em algumas situações (por exemplo, irritado ou amedrontado).
 

À medida que vão crescendo essa falta de habilidade já é demonstrada de outras maneiras:

-Tendência a pensar sobre o mundo de seu próprio ponto de vista, o que a faz parecer uma pessoa egoísta.

-Tendência a participar de atividades que não dependem de outras pessoas.

-Foco apenas em suas necessidades.

-Dificuldade em compreender a emoção alheia, portanto há uma falta de empatia.

-Necessidade de estar no controle.

-Falta de flexibilidade em interações.

-Uso de regras sociais de forma rígida em vez de regras adaptáveis.

-Tendência a mais receber do que dar (no dar/receber de relacionamentos).

-Problema com revezamento.

-Tendência a tratar as pessoas igualmente, sem saber diferenciar idade ou autoridade.

-Ser facilmente levado por outros em consequência de sua dificuldade de entender os motivos alheios.

-Tendência a relacionar-se melhor com adultos, pois estes são mais previsíveis e podem ser mais tolerantes.

-Dificuldade com brincadeiras de faz de conta e de entender o fato de contar mentiras.

-Dificuldade em entender que seu comportamento afeta a maneira como os outros pensam ou sentem.

-Dificuldade em entender sobre compartilhar entusiasmo, prazer ou pertences.

-Tendência a falar excessivamente sobre determinado tópico de seu interesse sem considerar a opinião do ouvinte (por exemplo, falta de interesse ou tédio de quem escuta).

Vendo essas características acima percebemos que pessoas com autismo são julgados erroneamente como egoístas e muitas chegam a achar que eles não gostam de se relacionar com as pessoas por não terem capacidade de amar, o que é um absurdo pois eles são muito afetuosos.

Se tentarmos imaginar a dificuldade de compreender como alguém se sente, ou pensa ,ou de levar em conta seu ponto de vista, percebemos como o mundo deve parecer confuso e assustador e como as interações sociais devem ser difíceis.

Mas é claro que nós podemos ajudá-los a melhorar essas habilidades sociais e podemos fazer isso de forma prazerosa!

Algumas dicas para usar com as crianças são:

- Brincar de esconde-esconde (aqui você tem que pensar onde seria difícil pra outra pessoa te encontrar, tem que prever acontecimentos).

- Brincar de teatro (cada um é uma personagem e juntos podem construir como ela pensa, age, veste, etc).

- Jogo de mímica em que um finge que é algo pro outro adivinhar (a criança tem que se colocar no lugar da personagem, bicho, etc, para imitá-lo).

- Jogo de perguntas para dedução  (A criança vai ter que analisar as perguntas para ver qual resposta se encaixa melhor).

- Planejar programas em família! (pensar no que cada um gostaria, no que pode acontecer e prevenir se pode acontecer algo inesperado como uma chuva… se acontecer, o que fazer?)

- Adivinhações e enigmas (o que é o que é, qual é a música, qual é o filme, brincar de detetive).

- Piadas.

- Ver filmes, desenhos ou novelas juntos para explicar as brincadeiras (senso de humor) e o sarcasmo e também os sentimentos (porque a personagem chorou ou ficou preocupada?).

- Colocar figuras em ordem para formar uma historinha (previsibilidade).

- Quebra cabeças (previsibilidade).

- Jogos de tabuleiros (previsibilidade, esportiva, saber lidar com frustração e espera).

- Jogos geradores de conversas como o Puxa Conversa e o que você faria, vendidos em livrarias.

- Playmobil (Se colocar no lugar de personagens em castelos, florestas, etc)

-Videogame (previsibilidade, frustração, persistência – cuidado para não virar isolamento… junte-se!).

- Criar funções diferentes para o mesmo objeto (banana vira telefone, vira uma meia lua, etc).

- Desenhar rostos no quadro ou caderno de acordo com o sentimento falado ou a história contada.

Se você leitor (a) tem uma história de superação e luta em relação ao TEA também pode dar a sua contribuição nesta coluna, que tem por único objetivo partilhar experiências e desfazer rótulos, fazendo com que as pessoas entendam o autismo! Na realidade nascemos para sermos incríveis, não perfeitos! 

Caso queira enviar sugestões pode entrar em contato comigo através do e-mail:  lilianejornalista@gmail.com - até o  próximo!

Fontes utilizadas neste artigo: Livro – Convivendo Com o Autismo e a Síndrome de Asperger: Estratégias Práticas para Pais e Profissionais /Autores: Chris Williams e Barry Whrigt  e  www.estouautista.com.br


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